segunda-feira, 6 de maio de 2013

[RESENHA] - Divergente


Informações: 
Edição: 1
Editora: Rocco
ISBN: 9788579801310
Ano: 2012
Páginas: 502
Tradutor: Lucas Peterson



Sinopse: Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. 

A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. 

E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive. 




Esse era um dos livros que me atiçava muito a curiosidade. Mesmo ele estando na minha estante há meses demorei um pouco pra ler, mas fiz bem, porque aproveitando o lançamento do segundo livro da trilogia, Insurgente, evitei sofrer muito com a espera pela continuação. 

A história de Divergente acontece em uma Chicago futurista. Nesse mundo distópico, depois de muitas guerras, os antepassados dos personagens chegaram à conclusão de que a culpa do mundo em guerra era da personalidade humana e sua inclinação para fazer o mal e não de suas crenças, raças ou política. Eles então se dividiram em facções que procuram erradicar as qualidades das quais cada uma acredita ser responsável pela desordem mundial. Ao todo são cinco facções: a Amizade, cujos membros culpam a agressividade e são dados às artes; a Erudição, dos quais os membros culpam a ignorância e são dados a todo o tipo de estudo; a Franqueza que culpa a duplicidade, e são tão sinceros que não se importam se acabam sendo mau educados; a Abnegação que encontra seu culpado no egoísmo sendo totalmente altruístas; e por fim a Audácia, cujos membros culpam a covardia, sendo os mais loucos e ousados dentre todas as facções. 

A protagonista dessa distopia é Beatrice, uma garota da Abnegação que tem uma vida simplória: desde pequena ela é treinada e educada para ser altruísta, amável, sempre pronta para ajudar ao próximo. Porém, ela acha muito difícil agir dessa maneira. 

Ao completar 16 anos, ela e todos os jovens passam por um teste aptidão que revela de qual é a facção a qual a pessoa deve pertencer e é aqui que tudo começa a mudar na vida da Beatice. O teste dela é inconclusivo, ou seja, não se define a apenas uma das facções, sendo assim ela é uma Divergente. E por algum motivo que ninguém explica para ela, os Divergentes são considerados perigosos. Ela decide então abandonar a família e seguir para a facção da Audácia onde ela escolhe um novo nome – Tris – e onde deverá enfrentar um treinamento duro e, muitas vezes, cruel para garantir o seu lugar lá dentro, ou então se tornará uma sem-facção. 

Beatrice, ou Tris, é uma ótima protagonista. Ela é esperta, ágil e apesar de ser uma garota não é uma personagem melosa ou chata como geralmente costumam ser algumas personagens principais. Ela tem seus princípios e crenças, honra-os e luta por eles, e não tem papas na língua. E o mais legal é que mesmo já sendo assim no inicio da historia, com o decorrer da trama a Tris amadurece muito. 

Mesmo os personagens secundários são bem redondos e é muito fácil para o leitor criar uma relação com eles. Senti verdadeiro ódio e desprezo por alguns personagens e muito ressentimento por outros. Eric é um ótimo exemplo de desprezo: ele é o líder dos recrutas da Audácia que precisa o tempo todo se auto afirmar para os seus alunos, seus superiores e para si mesmo. E temos também o outro lado da moeda: Quatro, que não é menos rígido que Eric, porém tem uma opinião completamente diferente do significado de coragem e do que devera ser praticado dentro da facção. 

Questionamento é a palavra que define o livro. O tempo todo vemos Tris questionar tudo e todos à sua volta e nos leva a pensar com ela. Será que segregar as pessoas em facções é a melhor opção? Podemos mesmo apresentar aptidão para somente uma facção? Passei o tempo todo durante a minha leitura, me questionando e debatendo com as opiniões da Tris. 

E é justamente essa crítica social que dá mais corpo ao livro. O antagonismo entre as facções mostra que mesmo tentando coexistir em paz está na natureza humana os sentimentos ruins que levam às guerras e à destruição de valores. 

O único ponto fraco pra mim, é que algumas revelações que deveriam ser bombásticas aos meus olhos se entregaram muito rápido. Não sei se é por conta de ser um livro mais juvenil, ou pelos meus estilos de leituras fazer com que os detalhes sejam pescados no ar, mais algumas teorias que criei no inicio da leitura apenas se confirmaram. Não que isso seja ruim, apenas acaba um pouco com o impacto do fator surpresa. 

A escrita é sutil, capaz de te dar um abraço e um tapa em seguida. O modo com que a autora narra a história é leve, flui com rapidez, e as 502 páginas voaram em minhas mãos. Não consegui largar o livro enquanto não acabava de lê-lo, e fiquei em estado de choque quando aconteceu, afinal fazia tempo que eu não lia um livro desse tamanho em apenas um dia. O final é de tirar o fôlego e te deixar ansioso por mais. 

Para os fãs de distopia, Divergente é um dos ótimos exemplos do gênero, com muita ação, uma dose de romance e uma boa filosofia. Lembrando que Divergente irá ganhar uma adaptação para os cinemas. O filme tem estréia prometida para 21 de março de 2014, e tem como protagonista a atriz Shailene Woodley. Agora é partir pra leitura de Insurgente. 



Critérios de Avaliação 


a) Arte da Capa: 
Divergente já tem capa com o pôster do filme, mas eu ainda prefiro a original. Tendo a imagem do símbolo da Audácia sobre a cidade de Chicago. O brilho envernizado da capa dá mais intensidade às chamas que formam o símbolo. É uma arte de capa extremamente bonita. 


b) Trama: 
A trama é forte e a crítica social pode ser sentida desde os primeiros parágrafos. A trama também é muito dinâmica, se construindo numa velocidade rápida e de maneira sólida. Com muitas boas reviravoltas em vários momentos não dá pra se prever o que irá acontecer a seguir. 


c) Caracterização das Personagens: 
Os personagens são um show a parte no livro. Desde a protagonista até o ultimo dos coadjuvantes a autora soube trabalha-los, sendo possível sentir a interação entre eles como algo crível, real. Cada personalidade marcada pela característica de suas facções originais, mas sem perder a individualidade. Simplesmente espetacular. 


d) Qualidade do Livro (papel, letra, erros, etc.): 
O papel branco não ajudou muito com a leitura, pra mim sempre parece refletir luz demais, o que cansa os olhos. Mas, para equilibrar essa desvantagem, as letras estavam num tamanho consideravelmente grande e a diagramação facilitou ainda mais. A revisão estava muito boa. Uma vez ou outra um errinho de digitação aparecia, mas nada que realmente incomode. 



e) Comparação com outras obras do gênero: 
Impossível não fazer a comparação clássica, não é mesmo? Acredito que todos esperem por isso. Realmente esse assunto é muito polêmico, comparam muito Divergente com Jogos Vorazes, mesmo não possuindo a mesma história e nem algo semelhante, algo totalmente distinto, mas que ainda assim, procuram algo para “comparar”, são trilogias distópicas, mas com assuntos diferentes. Talvez o fato das protagonistas serem garotas em ambos, ou talvez às criticas sociais envolvidas aumentem essa necessidade de comparação. Mas, acreditem, apesar de ser distopia, apenas isso há de semelhança com a criação de Suzanne Collins. 


Nota: 4,5 




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