sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

[RESENHA] - "A Última Nota"

E aí, pessoal! 

Como vamos?

Hoje, trago para vocês a resenha de “A Última Nota”, livro escrito pelos autores brasileiros Felipe Colbert e Lu Piras. Não sei se já comentei antes, mas não costumo ler muitos romances de escritores nacionais, salvo algumas exceções como Raphael Draccon, Eduardo Spohr e Luis Eduardo da Matta. Muitas vezes fico com o pé atrás em relação aos nacionais, ficando em dúvida se são bons, se valem a pena ser comprados e coisas do tipo. Então, quando compro um é porque alguma coisa realmente me convenceu aí.

Felipe Colbert e Lu Piras no lançamento do livro
“A Última Nota” apareceu para mim como uma brisa de verão. Veio para suavizar e dar uma pausa nas leituras mais compridas e densas que eu estava tendo ultimamente. Surgiu, assim... ao acaso.

Após o Natal Literário, alguns amigos tinham se planejado para ir até o lançamento deste livro que vos falarei mais adiante. E eu, querendo mais curtir a companhia deles que dos autores propriamente ditos, fui junto. Pegamos uma chuva do cão, mas chegamos.

Demorou algum tempo antes de eu poder dizer a mim mesma: “Ok, vale a pena arriscar e comprar”. Fiquei namorando o bendito por um certo tempo. Parava pra comer, via o livro. Parava pra conversar e folheava mais páginas. Colhia opiniões e passava a mão na capa. Tirava fotos no evento e ia olhar mais um pouco. E no meio desse vai e volta, também pude conversar um pouco com Lu Piras. O carisma de ambos os autores foi a gota final para eu me decidir em comprá-lo. 

Dito tudo isso, vamos à resenha.

É um livro curto, rápido de ser lido. Terminei-o em dois dias. 
Tem um ritmo bem gostoso, a escrita tem uma cadência própria que fez minha leitura fluir suavemente. E quando digo suavemente não é porque a estória não teve seus momentos de tensão, mas, é no sentido de que a escrita não tinha muitos “trancos” e eu não precisava parar para tentar entender a frase.



A personagem principal é Alicia Mastropoulos. Ela é de descendência grega, estudiosa e apaixonada por Música. Eu ri em vários momentos com essa criatura, achava engraçado que mesmo em momentos mais tensos e um tanto desesperadores ela dava um jeito de tirar um lado cômico da situação, mesmo que sem querer. Ri muito também com a melhor amiga dela, Carol (minha xará!), que tem um jeito meio despojado de ser. Senti falta de ter mais momentos junto dela sem ser somente na escola de música.

Na verdade, fiquei com um desejo de que o livro fosse mais longo, de que as relações entre as personagens pudessem ser mais aprofundadas, sabe? Acho que a estória¹ é bem boa, com uma trama interessante e que instiga a curiosidade. Só que o livro é tão curto e rápido que não deu tempo, para mim ao menos, de fincar as raízes com as personagens da estória. É como se faltasse uma certa costura.

Tentarei explicar: imagine uma ilustração em processo de ser desenhada. Você começa por um esboço e, aí, quando fica mais ou menos satisfeito, começa a pintar as partes que estão em branco. A pintura não é só passar, por exemplo, um lápis azul e pronto, tem toda uma escolha de como vai usar essa cor... se vai fazê-lo mais escuro ou mais claro, mais fino ou mais grosso... São esses detalhes que vão dando consistência e corpo ao seu desenho. A sensação que me fica é que “A Última Nota” tem um desenho pronto e tem suas belas cores. O que parece faltar são esses degradês entre cada cena e entre as personagens.

Um ponto legal é que a gente vai conhecendo um pouco da cultura grega também, dos costumes, da culinária. Isso fica bem presente quando Alicia se relaciona com seus pais; são cenas que mostram as dissonâncias que acontecem entre as gerações e as culturas grega e brasileira. Dona Artêmia (a mãe) é um tanto rigorosa no quesito de se manterem as tradições gregas na família. Ri muito e fiquei puta em vários momentos, porque é uma experiência que eu tenho parecida com a de Alicia, pois descendo de taiwaneses, então, dentro de minha criação há essa mistura dos costumes de lá e dos costumes daqui.

No livro todo, tem várias ilhas de acontecimento que vão se encontrando: os pais, a faculdade de música, a avó, o passado e, especialmente, Sebastian. Ele é um cara que surge do nada e vai fazendo Alícia se sentir toda bagunçada. É uma estória romântica bem gostosa de ler. Faz a gente ter mais vontade ainda de se apaixonar! A gente consegue até prever por onde os acontecimentos andarão, mas o que vale, pelo menos nesse caso, é como o escritor vai te conduzir pela estória, é como todos esses acontecimentos que você sabe que irão acontecer serão contados a você, leitor.

Num primeiro momento, depois de terminar de ler, achei que o livro não tinha muitos momentos de clímax. No entanto, me lembrei que, antes dele, eu estava lendo livros de literatura fantástica, então o estilo é diferente. “A Última Nota” fala sobre esses momentos de transição da vida, em que algo novo surge e precisamos nos rearranjar para lidar com isso. Não é uma estória de proporções grandes como “Guerra dos Tronos”, mas não é por ser pequena que deixa de ser interessante. 

Porque, na verdade, ela fala daquilo que é o mais simples, complexo e essencial da vida: o amor.

Amor com os pais e os avós... com os amigos... com alguém especial... e com aquilo que nos move pelo mundo aí a fora.


Alicia e Sebastian quando ficarem velhinhos rsrs



Critérios de Avaliação

a) Arte da Capa:
Uma bela capa, foi uma das primeiras coisas que me atiçou a curiosidade. 
Quando vi de perto, percebi que tinha mais detalhes do que tinha imaginado a princípio.

b) Trama:
A trama é bem desenvolvida e a leitura flui sem problemas. O enredo é interessante e desperta a curiosidade. As páginas vão se virando sozinhas. Contudo, como comentei acima, parece faltar um certo degradê nos acontecimentos, nas personagens... É que nem sopa, para ficar gostosa, ela precisa encorpar e ser cremosa, se não fica um caldo meio ralo...

c) Caracterização das Personagens:
As personagens são cativantes, algumas nem tanto (vide Theo, namorado de Alicia). Talvez, pelo fato do livro ser curto, não tenha dado tempo de desenvolver mais as personagens, além de Alicia. Fiquei com vontade de conhecer mais cada um deles. 

d) Qualidade do Livro (papel, letra, erros, etc):
A qualidade do livro é ótima. A capa não é nem nome e nem dura demais, é prática e fácil de se manusear. O papel é liso e de cor creme claro, deixando a leitura agradável aos olhos e às mãos. A diagramação das páginas e o tipo de letra também estão na medida certa de conforto. 

e) Comparação com outras obras do gênero:
Segue um certo padrão das estórias românticas, é possível prever mais ou menos o rumo dos acontecimentos, no entanto, isso não torna a obra menos interessante. 


Nota: 4,5
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¹Sei que, de acordo com as novas normas gramaticais, o correto seria “história”, mas como sou muito teimosa e não concordo com isso, continuo utilizando o termo “estória”. Explico o motivo me apoiando nas palavras de Rubem Alves: nos diz que a "'história' é entidade do mundo de fora, o que aconteceu no tempo e não acontece nunca mais. A 'estória' é entidade do mundo de dentro, não aconteceu no tempo porque acontece sempre". 



Licença Creative Commons
[RESENHA] - "A Última Nota" de Carolina Feng é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.
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3 comentários:

  1. Carol, a resenha está maravilhosa!

    Você encontrou o ponto de equilíbrio na sua resenha e expôs suas impressões com objetividade e fundamento. Por isso, adorei!
    Além da sua avaliação técnica, também pude perceber o quanto você se envolveu com a história a ponto de desejar conhecer mais do universo dos personagens. Confesso que foi muito difícil para mim, separar-me deles. Justamente por isso... nos apegamos a eles e queremos conhecê-los mais a fundo.

    Lindaaaa! Foi um prazer conhecê-la! Espero que nos encontremos outras vezes! Vamos sacudir os eventos literários!!!

    Beijocas,

    Lu
    www.lupiras.com

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    1. P.S.: Esqueci de comentar a coisa fofaaaaaaaaa dessa foto da Alícia e do Sebastian velhinhos!!! DEMAIS!!!

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    2. Poxa, obrigada, Lu! Que bom que você gostou.

      Essa é uma das coisas que eu acho mais difícil numa resenha, tentar passar minhas impressões e com embasamento... sem ficar no "eu gosto" apenas. Não que seja errado, mas quando a gente vai ler uma resenha quer saber porque a pessoa gostou, né? hehehe

      A foto dos velhinhos é demais mesmo, né? Estava pesquisando por "amor" no google e me deparei com ela rsrs

      Um feliz natal e, logo mais, um ótimo ano 2013.

      beijos!

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