quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Resenha - O Nome do Vento

Êa meu povo! ^^

Eu estava safadiando por ai, mas agora estou de volta. Pra recomeçar bem, que tal falarmos sobre um livro bom?





O Nome do Vento é um livro incrível! Pensa num livro bom?

Mas pra que toda essa empolgação? Hão de perguntar. Deixe-me, então, mostrar como cheguei a esse estado. ^^


O livro começa meio confuso, falando de um hospedeiro, de demônios e de um cronista. Passei um bom tempo tentando entender o que os capítulos tinham a ver entre si. Mas, quando as três peças enfim se encontram, começa uma das melhores historias¹ já contadas.


Acontece que o hospedeiro é Kvothe – o Sem-Sangue, o Arcano, o Matador do Rei. Protagonista de lendas de seu próprio tempo. Um homem cujas historias são contadas em torno de fogueiras e na beira da cama das crianças. Historias tão importantes quanto as escritas no Livro do Caminho, principal livro religioso da República.




Em O Nome do Vento, o próprio Kvothe conta a sua historia. Chegamos então ao primeiro ponto digno de nota. O autor (Patrick Rothfuss) muda a narrativa de terceira para primeira pessoa de uma maneira tão natural que nem percebi. A maior parte da narrativa pertence ao próprio Kvothe contando sua historia em primeira pessoa, porém no decorrer do livro existem interlúdios, escritos em terceira que narram o que seria o tempo presente da trama. Essas pausas na historia principal são outra grande sacada. Elas servem ora para um respiro na narrativa, ora como ponto de virada, fechando uma fase e começando outra. No final do livro a volta ao presente deixa de ser somente um interlúdio e passa a desenvolver uma trama própria, são pequenos pedaços que puxam a atenção e atiçam a curiosidade de saber o que virá a seguir.

 Kvothe concorda em contar a sua historia em três dias. “Comece do princípio”, seu pai diria. E é daí que ele começa. Conta sobre a sua infância, sua família e sua formação enquanto viajava com a trupe de artistas itinerantes. Conta como foi educado na “magia” por um arcanista que viajava com eles, e conta como tudo mudou de repente quando o Chandriano atacou.


Eu tenho que dizer que nesse momento do livro eu fiquei com o coração na mão. Patrick Rothfuss, por meio do próprio Kvothe, conta a historia de um jeito que foi possível sentir a tristeza que ele sentia. Fiquei por um bom tempo com o coração apertado e a respiração pesada por conta da situação do garoto. Órfão, sem ter onde dormir, o que comer o que vestir. Perdido em seus próprios pensamentos, morto junto com a família.



Essa interação que se tem com a historia é meio comum na maioria dos leitores. A gente consegue imaginar e sentir o que os personagens dos livros vivem. Mas com O Nome do Vento foi algo mais intenso, ao menos para mim, era como se eu fosse o próprio Kvothe. E o mais incrível é que eu tive todas as reações físicas que eu teria se estivesse relembrando algo que aconteceu comigo. A respiração, o suor frio, o coração batendo acelerado... É como se estivesse vivendo o livro. E as sensações ocorrem durante toda a narrativa.

Houve alguns momentos em que eu fiquei meio impaciente com a historia também. Mas não que ela estivesse chata ou que o autor estivesse perdido. Mas é que eu ficava imaginando o que iria acontecer e ficava impaciente porque as coisas não aconteciam logo.

Apesar de minha impaciência, os momentos de ação estão presentes ao longo do livro. Kvothe é sempre o menor e mais fraco, já que ainda é muito jovem nesse livro, porém as cenas são bem narradas e dão o toque de adrenalina na historia.

O romance também está presente, e não deixa a desejar. Kvothe se apaixona por uma menina misteriosa, e as cenas de romance são de seu primeiro amor. Um amor juvenil, cheio de sutilezas. Achei muito boa a ideia de acrescentar um romance leve na historia. Kvothe tem que enfrentar vários problemas e a trama é cheia de tensão, mas as cenas de romance dão uma quebrada na pressão. Eu me vi xingando Kvothe por ser tão burro quando o assunto eram mulheres. Outra parte legal do livro são os amigos de Kvothe. Aqueles amigos fiéis que não podem deixar de existir em nenhuma trama que se preze.



E o vilão. Na realidade o vilão principal da trama é O Chandriano. É a busca deles e pela vingança que move boa parte da historia. Mas há outro vilão, Ambrosio, um anti-herói que consegue ser tão detestável que me vi torcendo pra que tudo de ruim acontecesse com ele.


A magia no livro acontece de maneira diferente, quase cientifica. Kvothe vai para a Universidade, o maior centro intelectual da República, um lugar em que sempre sonhou em entrar, desde que começou a estudar sobre magia, ainda criança. Na Universidade os professores ensinam sobre como as coisas funcionam, como a magia, na realidade, é uma ciência a que se tem que dedicar muito de si. Kvothe, claro, é um gênio. 

Para mim foi uma maneira diferente de abordar um assunto tão batido e eu gostei. Também é incrível como a trama é bem ambientada, o universo do livro é complexo e cheio de historias, mas nós não nos sentimos em nenhum momento perdidos. (Bem, existem umas notas no final do livro que nos explicam bastante).



Enfim, eu praticamente comi o livro, me empolgando e entristecendo com o passar das paginas. É um livro muito bom, muito bem escrito, que recomendo fortemente!

=D

Agora vamos aos:

Critérios de avaliação:


a) Arte da capa: Tem uma ilustração referente á trama, apesar de eu não ter conseguido identificar que cena foi retratada. A tipografia garante certa magnitude ao titulo do livro por ser serifada e em caixa alta, mas apresenta algumas quebras na estrutura, oque passa uma ideia sutil de algo mais artesanal, mais humano.



b) Trama: O enredo de O Nome do Vento é bem amarrado, de forma que nada fica solto na historia. O autor também equilibra momentos de tensão com cenas leves e engraçadas, além de dividir a historia em partes bem delimitadas pelas voltas ao presente. A historia em si é muito interessante, fazendo o leitor sempre querer saber mais.

c) Caracterização de personagens: Como esse é o primeiro livro, Patrick Rothfuss precisa apresentar a maioria dos personagens, porém ele faz isso de maneira simples, sem muitos rodeios. As descrições também são bem feitas, de modo que é mais fácil imaginar os personagens enquanto lê. Eu mesmo assisti a um filme inteiro.


d) Qualidade do livro (papel, letra, erros e etc.): As paginas do livro são feitas de um papel amarelado mais ou menos poroso. O livro tem um peso mediano por conta da composição do papel. A tipografia utilizada no miolo do livro é serifada, bem redondinha e segue as proporções áureas. Assim não dá pra cansar fácil. As margens respeitam o espaço das mãos de modo que você pode ler sem se incomodar em ficar com o dedo em cima do texto.  A capa é de brochura com papel cartão laminado e com orelhas não muito grandes. Mas, como em muitos outros livros, O Nome do Vento não tem colofão, o que me deixa em uma angustia sem tamanho.


e) Comparação com outras obras do gênero: O Nome do Vento fica fácil entre os primeiros da minha lista. Além de ser muito bem escrito e causar tooodos aqueles efeitos que citei ai em cima, ele consegue ser muito original e se diferenciar de outras obras de fantasia que lidam com magia.

Nota final: 5


¹Eu realmente sinto falta de diferenciar estória e história. Quando os dois passam a ser iguais as coisas contatas perdem um pouco do brilho que tinham para mim ao ler “estória” e saber que aquilo tinha saído da imaginação, do éter.




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3 comentários:

  1. Cara, pode acreditar, fiquei todo arrepiado lendo a resenha, já li o livro, ele é realmente fantástico.

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    Respostas
    1. Vlws JP.... o crédito dela vai para nosso resenhista Jau Santoli... Ele mandou muito bem mesmo.

      Abraço!

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    2. Sim! O Nome do Vento é um dos melhores que já li. Vlw o comentário aih, eu só disse oq achava do livro.

      Abç.

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