domingo, 18 de março de 2012

Resenha: Filhos de Galagah



    Olá pessoal!

Essa semana eu trago mais uma resenha de uma história que me surpreendeu.

Esperava sim, que Filhos de Galagah fosse uma história muito boa, pois os comentários e críticas que já tinha lido, dizia isso.


O que eu não esperava era a soberba que vinha junto com ela.



Leandro Reis é brasileiro e mora em São José dos Campos em São Paulo. Por toda sua vida foi apaixonado por histórias de dragões, elfos e magia; juntado a paixão pelos seres fantásticos e o desejo de seu coração de escrever, deu vida ao belo mundo que habitava em sua mente, compartilhando conosco essa maravilhosa aventura


Quando digo que Filhos de Galagah foi muito além do que eu esperava, digo a verdade.
Sabendo que o autor era brasileiro, e com base nas experiências de livros nacionais que recentemente li, meu coração se incitou em ler sua obra.

E o que eu encontrei?

Um mundo magnífico, repleto de seres fantásticos e histórias de heróis.

Mas isso tudo já não há nas outras histórias?

Sim há... mas a forma como Leandro Reis manipula as palavras é bem diferente.

Sua escrita é leve e bem diferente de Gigantes da literatura como J.R.R. Tolkien ou mesmo George Martin. Enquanto um trás uma aclamada descrição do átrio a sua volta o outro faz uma onipotência aos acontecimentos de cada personagem.

Leandro Reis por sua vez, possui uma leve aproximação à Raphael Draccon, não pela escrita, mas pela manipulação de sentimentos. Alegria, temor, paciência, maldade, honra, traição, ódio, amor, esperança, gratidão, soberba e muito mas, retratados com maestria por ele.

Posso dizer que Leandro me levou a fazer uma auto-análise de mim mesmo, a respeitos de alguns assuntos que me tocou durante sua leitura. O principal deles foi a fé.


Em meio a um mundo de humanos e seres fantásticos, o sagrado também se faz presente, e Leandro nos mostra, através de sua personagem principal, Galatea Goldshine, que muitas vezes não somos dignos de dizer que acreditamos em algo mais, de tamanha pequenez de nossa crença.

Ele nos conduz pela história de nascimento de uma guerreira, que acima de tudo, possui uma fé grandiosa. E através dela, consegue vencer barreiras intransponíveis para qualquer conceito humano e comum que possa existir.

Suas experiências vividas através de sua jornada levam o leitor a acompanhar seu crescimento; fazendo-nos aprender com ela e com suas dúvidas e obstáculos.

Outro quesito que me chamou a atenção é que, nunca vi e senti um mal tão palpável quanto o mal descrito po Leandro Reis.

Mesmo Star Wars, com seu lado sombrio da força nos ,mostrado com plena nitidez através da vida do jovem Skywalker como é a escuridão, Leandro vai mais além.

Ouço dizer que para mim as trevas em seu livro se tornaram matéria, e que podem ser tocadas.

A manipulação de sentimentos e sensações nunca vistas antes, nos faz temer junto aos personagens, de tão frio e negro que é.

Em sua jornada, nossa heroína encontra forças que se aliam a ela. Elfos, homens, bruxos e magos se juntam para combater o mal de Ars Nibul, o reino onde as trevas habitam, e as sombras que emanam de Enelock e seus asseclas.

- Vou compartilhar algo com você.... – Disse apreciando a paralisia do jovem, enchendo suas palavras de satisfação – Poucos mortais chegam próximo o suficiente para sentir o que você experimenta neste momento. Quando o mal se tornou profundo em mim, os deuses me abandonaram. Minha alma foi largada à sorte... Até que Orgul veio a mim.
Ele estremeceu.
-Orgul... – Repetiu para si... deus do mal absoluto.
-Ele sussura em sua alma e apresenta o caminho inverso.  O caminho do poder. Ele ensina a controlar as estúpidas leis universais e mostra o quão fraco os vermes que se dizem deuses são. E quando você aceita isso...
Os pontos rubros aproximaram-se, com dois passos. A paralisia de ... almentou, o medo sobrepujou a razão. Ele queria correr... tudo o que fez foi fechar os olhos com toda a força que podia. O pânico tomou conta de seu corpo e seus pensamentos dispersaram-se. Mal conseguia respirar.
-Você passa a ver as criações desses deuses como elas realmente são... – A criatura parou por um segundo, para sentir o gosto do desespero do ... e concluiu: - Nada...
... sentiu que ele se aproximou mais. Desesperado, fez um esforço extremo e moveu a perna para trás. Mas ao tentar firmar-se nela, caiu desajeitado. As palavras da criatura entravam em sua mente, marcando-a como se escritas por ferro e brasa.
- E quando se percebe isso, você sobrepuja a fraca vontade desses seres patéticos, mostrando o quão impotentes e insignificantes eles são.
Ao perceber que a criatura estava sobre ele, ... encolheu-se na posição fetal, cobrindo a cabeça com os braços trêmulos.
- E eles se encolhem apavorados perante meu poder.”




 Critérios de avaliação:

a) Arte da capa.

Ilustrada pelo artista Licínio Souza, a capa do livro consegue resumir a história em simples elementos, que são a espada e o escudo, mas que simbolizam com perfeição sua magnitude e intenção.


b) Trama
A trama é muito bem desenvolvida, não deixando falha alguma.
Todos os caminhos de conflitos abertos pelo autor de importância para aquela parte da história foram fechados com maestria.
Lógico que se tratando de uma trilogia não teria como não deixar alguns caminhos entreabertos, pois haverá muito mais a ser revelado.
Em momento algum a leitura tornou-se cansativa ou perdeu-se o pique.
Sabe aquela hora que ficamos pensando em acabar logo para focar na parte da história que queremos?
Isso não aconteceu com Filhos de Galagah.
Do começo ao fim, Leandro deixa o leitor faminto por cada letra que ele joga nas páginas, e o faz devorar cada uma com uma gula sem igual.


c) Caracterização de personagens

Cada personagem parece estar vivo perante sua obra.
Suas caracterizações são perfeitas e distintas. Com inúmeras características ele cria um universo bem construído, dosando na medida certa humor, alegria, frieza, felicidade entre outras.


d) Qualidade do livro (papel, letra, erros e etc)

Publicado pela Editora Idea, meu exemplar é um broxura de 15x23 cm, com folhas brancas. Prefiro as folhas amareladas, porém não encontrei um exemplar com esse tipo de folha e não sei se o mesmo tem as duas versões disponíveis para venda.

Sua diagramação é simples e não encontrei erro algum, de qualquer tipo que seja.

O que me chamou a atenção, são as ilustrações presente a cada inicio de capítulo. Fruto da união dos artistas: Licínio Souza, Valdez Oliveira e Ig guará.
No final do livro há um mapa que dá uma maior compreensão do território onde se passa a história.

e) Comparação com outras obras do gênero

Os Filhos de Galagah ao mesmo tempo em que possui traços semelhantes a qualquer obra literária de LitFan (literatura fantástica) que conhecemos; possui uma característica própria não encontrada em outros autores. Ela é forte e possui peito para competir com obras grandiosas da LitFan estrangeira.

Nota: 5

8 comentários:

  1. Já havia ouvido falar do Leandro, através dos videos do "Na Mira dos Livros" do Shulai.

    Há, inclusive, um video sobre o lançamento: http://www.sobrelivros.com.br/na-mira-dos-livros-32-lancamento-enelock-de-leandro-reis/

    Se um dia esse blog resolver fazer uma postagem sobre o autor, poderia colocar.

    Gostei muito da resenha e fiquei muito interessado em adquirir um exemplar. Assim que diminuir minha lista de leitura, vou a procura na net. Fica um sugestão: coloque o link para a compra do livro. Facilta as coisas...

    P.S. Ainda está me devendo a resenha de Peregrino.

    Grande Abraço

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    1. Obrigado Marcos pelo comentário!!

      Compre o livro sim... recomendadíssimo!

      Obrigado pelas sugestões...

      Abraço!

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  2. Li muitas resenhas da trilogia do Leandro, por ter interesse em como o trabalho dele foi recebido, se as ilustrações e videos ajudaram, etc.

    Posso dizer, com alto nivel de segurança, que esta resenha é de qualidade e imersao excepcionais, estando entre as melhores.

    Nao me lembro de nenhuma q tenha "decifrado" pq as pessoas tem empatia por este ou aquele personagem, e acredito q ficou mto mais claro agora, após ler sua abordagem de "manipulação de sentimentos".

    Parabéns ao Leandro pelo livro e a Moisés Suhet pela percepção e expressao acima da média comum e em linguagem simples.

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    1. Muito obrigado Licínio pelo comentário...
      Leandro Reis realmente escreve muito bem...
      Faz um tempo que venho investindo minhas leituras em literatura nacional, e a cada livro percebo o grande potencial que temos aqui no Brasil!

      Abraço!

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  3. Nossa Suhet. Muito bom. PRECISO LER ESSE LIVRO. *-*

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  4. Que bom que Gostou Brenda...
    Foi minha primeira nota 5...
    e olha que nem pra Tolkien eu dei 5.. srsrs

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  5. Eu ja tive com esse livro em mãos e não o comprei, mas deposi dessa resenha, e dessa curiosidade que vc despertou, pensarei na proxima vez que o tiver.

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